25/05/2013

UMA CARTA DE AMOR



guardo todas as "coisas" que amo; aquelas onde "te sei" e outras onde não te sabendo te pressinto e por vezes também guardo, aquelas de que não gosto, onde a tua voz se faz ouvir, contundente.

e porque a minha casa para além de sempre minha será também sempre tua, quando estendo a mão para te alcançar encontro-te poema em qualquer canto, recanto ou lugar, gaveta; da soleira da porta à beira da janela; pendurado no sol do meio dia ou a adormecer o beijo, nos lábios do mar, na hora rubra do Entardecer no horizonte;

e quando em dias de tempestade os raios se estilhaçam no telhado, os cães uivam e a casa pega fogo como se fosse o inferno e tudo parece reduzir-se a cinzas, valho-me das memórias minhas [que nunca se apagam] e de um pedaço de pedra com vida por dentro, escondido aqui, no côncavo da minha mão, donde brotam flores e vozes e outras coisas lindas que foste poisando no meu colo pelos tempos fora, desde quando o Mar era Ameno e uma jangada musical perdia o norte entre flautas e violinos, numa Onda que nunca volta, rumo ao Horizonte, que é sempre redondo;

lembras-te quando a tua Lua gorda, toda sorrateira, mergulhava até ao chão do mar, àquele lugar fascinante onde eu julgava esconder o segredo mais secreto e lindo do mundo e das Pérolas que as ostras espantadas te ofertavam?
tinhas aquele dom sábio de as transformar em romãs, escondido nos brilhos de uma estrela;
grão a grão, na beira da noite, multiplicavam-se nas minhas mãos!

ainda hoje a Chuva chora copiosa no manto daquele Mar, onde para sempre Gravámos Uma Palavra, no Escuro da madrugada!

podemo-nos perder do que guardamos numa qualquer cidade ou ilha, porém, teremos sempre um último e precioso recurso: a Memória do coração!

roubamos beijos que não são nossos, ousamos palavras impreVistas, até que alguém se atreve a ensinar-nos que não sabemos dizer Amor, ficamos tristes, perdemos a voz, escondemos a luz, até descobrirmos que não há linguagem mais bela para falar do Amor e da Emoção do que a gestual

noMar






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