31/10/2014





I - ESCLARECIMENTO

[...] este não é realmente um lugar de Cultura, no sentido Literário da Palavra aprendida nos degraus das Escolas Superiores, já que por razões diversas, sejam elas ou não justificáveis, me fiquei pelo 3º ciclo do Ensino antigo...


[pronto, disse,
 foi só a intenção de um recadito que mal se veja; 
todos sabem que tenho o coração na ponta da língua 
e que nem sempre os sei segurar, 
nem a um nem a outro ;))]


... este é sim um lugar de culto ao sentimento, às pessoas, porque eu gosto das pessoas, de gente, gosto! penso que quando as pessoas estão antecipadamente mentalizadas para não tentar entender outras, o acesso às pontes está irremediavelmente interditado, porque cada pessoa tem a sua verdade e a verdade do outro não tem que ser necessariamente mentira, e se por vezes é, é porque, com ou sem política, o partidarismo é opção generalizada na mente de toda a gente [porque a união faz a força...] é inevitável, arrisco a dizer que é saudável apesar das injustiças...!

na política as pessoas matam-se e esfolam-se, a nível pessoal o assunto é mais delicado, cada um respeitando a verdade do outro, sabendo porém, cada um deles, o que é verdade e o que é mentira; é assunto deles, e APENAS, cada um tem obrigação de respeitar o outro, apesar de tudo,  e os outros não têm de meter o nariz aonde não foram chamados, porque "do convento só sabe quem está lá dentro" e a guerra só se instala quando, sabe-se lá porque razões..., o universo inteiro decide apontar o dedo na mesma direcção... 
[fim de lamento, sem direito a contestações ou julgamento público...]!


II - PECADORA ME CONFESSO

[...] sim, gosto de Gente mas por vezes há um cansaço de maldizer, como um bulling psicológico, estaladas sem mão e pedradas de palavras [umas doces, outras cortantes] dia a dia, que castigam e maltratam e nos vão sub-répticiamente desgastando e transformando. 

quando as maldades me começam a fazer muito mal, tenho, desde que me lembro de ser gente, este hábito de me isolar e é nestes momentos que sei onde estão os meus reais amigos.

e vou resistindo como sei. "faz de conta" é um jogo perigoso, mas que eu jogo muitas vezes enquanto espero o momento que me parece certo e que nem sempre chega...

há dias dei-me conta de como estou magoada, dorida, quiçá mudada...; descobri um outro eu de mim e apanhei o "susto da minha vida". um eu que seguramente já existe desde sempre, um eu que  devo ter castrado, amarrotado por ser impertinente e perigoso, já que a minha busca foi, é e faço questão de que continue a ser: a paz, a tranquilidade, a tolerância e um bem estar com os outros. 

descobri como também posso ser cruel: e fui! ... e aquele meu "NÃO", ainda o ouço, aquele meu "OLHAR" ainda o vejo [e sinto] como se aquele eu fosse outra pessoa para além de mim, radicalmente oposta ao "mim" que eu conheço, um eu cruel, do fundo do coração. 

sob o efeito de uma dor enorme, daquelas que acontece no peito, num qualquer ponto cujo nome não sabemos e nos parece sempre a dor suprema, são-nos reveladas "coisas" incríveis. pela vida fora passam por nós algumas dores supremas todas elas diferentes umas das outras e achamos sempre que nenhuma outra será nem parecida àquela.

tropeçar e cair dói, é difícil; levantar, curar feridas, também não é fácil, apenas uns são mais ágeis que outros...

quando não acredito num caminho, e até que mo expliquem de forma que eu entenda muito bem, digo como o poeta: "não, não vou por aí"!


sei que vou voltar a encontrar aquela mulher
e resolveremos o nosso desentendimento!



**.**

ps:

[...]
caía um dilúvio na cidade, naquele dia,
olhavas para mim do alto dos teus 2000 cm de altura
[e eu sem saber se caíras de alguma nuvem
ou se os teus sapatos eram barcos]
o nariz empinado a acrescentar-te mais uns tantos cm
e a fazer-me ainda mais pequenina...
[...]
um momento tão especial, aquele

sabíamos, sim sabíamos:
                                       nem tu precisavas dos meus €00,50 para um café
                                       e nem eu tinha na minha bolsa mais do que viste na
                                       mão que te estendia

momento de muita ternura minha e
muita raiva na mistura
[era o teu olhar que me dizia, lá do alto]!

sim, apaguei as palavras.
intento de eternizar o instante.
rabisqueio na memória
e persiste, num esboço incompleto, por isso
te peço: manda-me um rascunho, por favor, para eu reler!

[depois houve aquela noite, quando brilharam os pirilampos, lembras?]:
...foi quando fiquei a saber da sede de marem num lugar algures no planeta, bem longe de mim!
                       



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