26/10/2014





temos da nossa infância memórias amorosas, imagens efémeras que inventávamos, como antídotos para nos protegermos dos medos; aprendíamos assim a sua linguagem, num faz de conta de "tu cá tu lá", brincando, ralhando, batendo o pé, apesar dos pesadelos...

a mim, fascinavam-me as tempestades, os relâmpagos e a chuva; os trovões explodiam-me no peito e eu, quase gelava.

lá no planalto, de uma das janelas da minha casa, o espectáculo dos relâmpagos a chover do céu, sobre os campos que se estendiam pela planície era como magia que mãos invisíveis e maravilhosas fabricavam nos bastidores das nuvens para me fascinar e prender durante horas, esquecida de tudo o resto, até que outra realidade chamasse por mim.


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